"NUNCA COMETA O MESMO ERRO DUAS VEZES. A NÃO SER QUE TENHA SIDO BOM."

Sua certidão de nascimento levava o nome de Agenor de Miranda Araújo Neto, mas isso foi só pra agradar a avó paterna. Era Cazuza desde a barriga da mãe. Nasceu na gema carioca em 1958 e aos 7 anos de idade ja escrevia letras e poemas que mostrava a sua avó materna. Graças ao pai, João Araújo, grande produtor e fundador da Som Livre, e a mãe, cantora, Cazuza cresceu inserido num ambiente propício a música, rodeado de grandes nomes como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, etc.

“EU VEJO O FUTURO REPETIR O PASSADO, EU VEJO UM MUSEU DE GRANDES NOVIDADES”

Incentivado pela promessa do pai, que disse que lhe daria um carro caso passasse no vestibular, Cazuza foi aprovado no curso de Comunicação em 1976. Desistiu três semanas depois e passou a levar uma vida boêmia no Baixo Leblon, no Rio de Janeiro. Vagando por aí, decidiu fazer um curso de fotografia na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA. Ao retornar ao Rio, entrou para um grupo de teatro no Circo Voador. Foi ali que Cazuza cantou em público pela primeira vez.

"VOCÊ ESTÁ VIVO. ESSE É O SEU ESPETÁCULO. SÓ QUEM SE MOSTRA SE ENCONTRA. POR MAIS QUE SE PERCA NO CAMINHO"

O cantor e compositor Léo Jaime gostou do que ouviu e inidicou o jovem para uma banda de garagem de Rio Comprido, bairro carioca, que precisava de um vocalista. Ao se conhecerem, os integrantes do grupo ficaram entusiasmados com o vocal berrado de Cazuza. Nascia ali o Barão Vermelho.

"A SOLIDÃO É PRETENSÃO DE QUEM FICA ESCONDIDO FAZENDO FITA"

Em 1982 Cazuza convenceu seu relutante pai  a gravar o primeiro disco de sua banda de garagem. O álbum, entitulado Barão Vermelho, teve uma produção barata, gravada em apenas dois dias, e contava com canções como ‘ Todo Amor que Houver Nessa Vida’. Vendeu pouco, mas foi aclamado pela crítica.

"QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA"

O Barão Vermelho fez alguns shows, gravou outro cd, vendeu o dobro do primeiro, mas parecia não deslanchar. Caetano Veloso encantado com as letras de Cazuza, citou o jovem como o maior poeta da geração. O cantor Ney Matogrosso, com quem Cazuza namorou durante um tempo, gravou “Pro Dia Nascer Feliz”. Foram os empurrõezinhos que faltavam.

"MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM"

Em 1985 Cazuza abandona o Barão para seguir carreira solo. Dois anos depois descobre que é soro positivo após ser internado com pneumonia. Em 88 grava o disco Ideologia. No ano seguinte lança seu álbum de maior sucesso comercial, O Tempo Não Pára, que vende mais de 500 mil cópias. Em 1990, após inúmeros tratamentos dentro e fora do Brasil, o promissor talento da música brasileira sucumbe aos infortúnios da AIDS.

"A VIDA É BELA E CRUEL DESPIDA, TÃO DESPREVENIDA E EXATA, QUE UM DIA ACABA"

Ele que se entregou de corpo e alma para a música, para o Brasil, para a vida. No meio tempo, compôs hinos que encantam gerações a se perder de vista. Todo Amor que Houver Nessa Vida, Pro Dia Nascer Feliz, Ideologia, O Tempo não Pára, e nem a a sua lista de sucessos. Foram apenas nove anos de carreira, mas Cazuza deixou 126 canções gravadas, 78 inéditas e 34 para outros intérpretes.

"ATÉ NAS COISAS MAIS BANAIS, PRA MIM É TUDO OU NUNCA MAIS."