Curtiram o carnaval!? Ele também!

“GOSTO MUITO DO CARNAVAL, MAS MINHA GRANDE ALEGRIA É MESMO VER AS RUAS LIMPAS.”


1997. As largas vias da Passarela do Samba carioca não são suficientes para esses dias de carnaval. As cores, as luzes, a energia. Esta confluência única é nossa, toda nossa. E como aproveitamos! Todos estariam curtindo, não fosse a bagunça e desordem resultantes de qualquer festa que se preze. Nessa hora que os garis passam desapercebidos em seus uniformes laranja chocante que não servem de nada para destacá-los da multidão. As cores vibrantes retocam o contraste de seus fatigados semblantes. Mas pera lá! De quem é aquele sorriso todo?

Renato Luiz Feliciano Lourenço, ou simplesmente Renato Sorriso. Sim, aquele gari que samba. Quem nunca ouviu falar, né! Foi no carnaval daquele ano, que ele ficou famoso no Sambódromo. Trabalhava ali avoado, como quem não quer nada, saltitante de alegria durante a passagem das escolas; varrendo e sambando; varrendo e sambando. A repreensão iminente de seu chefe foi calada pelos aplausos e gritos a incentivá-lo. Este laranjinha já não passaria mais desapercebido.

“MINHA ACADEMIA É A ACADEMIA DA RUA, É A ACADEMIA DO CORAÇÃO. QUANDO A PESSOA FAZ AS COISAS COM CARINHO E AMOR, SAI BEM FEITO.”

Seus 15 minutos de fama se tornariam uma vida de inspiração. Ele continua varrendo e sambando, agora orgulhoso por ser considerado um elemento característico do carnaval carioca e brasileiro. Sua ginga, carisma e positividade lhe renderam muita atenção. Participou de novelas e reportagens da globo. Em 2006 percorreu a França, Espanha e Inglaterra participando de um espetáculo de dança que homenageava o Brasil. Participou de comerciais de televisão nacionais e internacionais. Desfilou na Portela em 2009. Durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Renato mostrou todo seu molejo sambando na abertura do bloco dedicado ao Brasil.

Apesar da fama, não se deitou à cama. O pai de família é muito grato por seu emprego e diz que não vai largar a profissão de gari. Como todo carnaval tem seu fim, Renato volta ao seu ponto habitual na Praça Xavier de Brito na Tijuca, onde pode ser encontrado, varrendo, sambando e encantando os moradores da região.

“SE EU UM DIA LARGAR A VASSOURA, VAI ACABAR. MINHA VASSOURA É MEU PASSAPORTE”