Se não fosse pela escrita, não teríamos o conhecimento compartilhado. Não haveriam livros nem jornais, receitas ou partituras. Não haveriam sms ou post-its  e oras, esse post também não há-ver-ia. Como há, há aqueles que fazem dela uma arte, uma profissão ou um passatempo - e há também, o que fez Paulo Leminski.


SE
NEM
FOR
TERRA
SE
TRANS
FOR
MAR.

O menino era considerado um geniozinho - tanto por sua intelectualidade como por seu temperamento. Talvez por isso, aos catorze foi parar no Mosteiro São Bento onde viveu por um ano. Aprendeu latim, filosofia, teologia e literatura clássica mas logo viu que ali não era o seu lugar.

"TARDE DE VENTO. ATÉ AS ÁRVORES QUEREM VIR PRA DENTRO."

Pois Leminski largou a vida e religiosa e mergulhou na escrita. Viajou para Belo Horizonte para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda onde conheceu diversos escritores renomados.  Por meio destes contatos, publicou seus primeiros poemas numa revista.

"NÃO DISCUTO COM O DESTINO. O QUE PINTAR EU ASSINO."

Como os versos sucintos não estavam pagando suas contas, Paulo começou a ensinar para aprender a se sustentar. Deu aulas de História e Redação em cursinhos, além de aulas de judô – sim, judô. O escritor era fascinado com a cultura japonesa e aprendeu além da arte marcial, o haikai( forma poética japonesa concisa e objetiva ), a língua e a cultura. Em 1983 escreveu uma biografia sobre o também poeta japônes, Bashō.

"PARA MIM, A POESIA É A EROTIZAÇÃO DA LINGUAGEM, O PRINCÍPIO DE PRAZER NA LINGUAGEM."

Leminski tornou-se amante das palavras e com elas passava seus momentos de euforia. Virou escritor e crítico literário. Virou poeta e letrista. Virou professor e tradutor. Virou. Fez cantorias com Caetano, Antunes e Moreira. Traduziu Joyce, Lennon e Beckett.  Escreveu livros, teve filhos.

Com Leminski era assim.
Sucinto e complexo.
Raso e profundo.

“CASA COM CACHORRO BRABO, MEU ANJO DA GUARDA ABANA O RABO.”