já não sou mais aquele menino, por vezes tímido, que decidiu depois de muita reflexão mudar de colégio e deixar para trás seu círculo de amigos e ambiente familiar para entrar numa panela amedrontadora de uma escola estrangeira.

já não sou mais aquele garoto, por vezes corajoso, que decidiu sem pensar no amanhã arrumar as malas e ir morar fora do país para falar uma nova língua e conhecer novas pessoas, culturas e realidades.

já não sou mais aquele jovem, por vezes impulsivo, que decidiu assim de supetão se juntar a um grupo de universitários para criar a atlética da faculdade e organizar jogos e eventos para uma multidão de outros jovens impulsivos.

já não sou mais aquele empregado, por vezes incoerente, que decidiu largar os dois empregos fixos e remunerados para se lançar numa empreitada sem fim de expediente, e tentar ganhar a vida com projetos independentes.

já não sou mais aquele amante, por vezes apaixonado, que decidiu se arriscar e sair da casa dos pais para morar com a namorada, sem salário fixo ou carteira assinada, e construir uma vida compartilhada.

já não sou mais aquele cara, por vezes egocêntrico, que decidiu sem pensar em mais ninguém, colocar tudo que valia a pena ter numa mochila e sair por aí sem rumo definido para explorar o mundo lá de fora que tanto o instigava.

e quando você, caro leitor, me encontrar hoje, por vezes uma mistura de tudo isso aí que já fui, e me perguntar o porquê: direi que não fiz nada disso por ser introvertido ou determinado; por me jogar ou fazer sentido; nem mesmo por um coração partido ou confiança exagerada. Direi que fiz o que fiz e continuarei fazendo, pois estou vivo e quero viver aprendendo.