Imagine um formigueiro de aproximadamente 6 milhões de formiguinhas.
Agora pense num sujeito desmiolado, com um bigode cortininha, que acha que teve uma ideia fantástica: Tacar álcool nestes seres, riscar o fósforo e assistí-los queimar.

Todos já vimos este filme. Esta mancha preta e mal cheirosa dos livros de história do colégio. Esta cicatriz latejante de nossos avós. Brutal e tedioso, eu sei. Vamos mudar de ângulo.

Pois então imagine uma única e insignificante formiguinha, que por acaso do destino, está do lado de fora da montanha flamejante que está a incinerar seus semelhantes. O que ela pode fazer? Buscar outro formigueiro? Lamentar sobre os grãos de areia queimados, ou quem sabe, no máximo, salvar uma ou duas outras formiguinhas? É o que a maioria das formigas faria, mas aqui não escrevemos sobre a maioria. Na realidade foram mais de 2500 formiguinhas salvas.

“FUI EDUCADA A ACREDITAR QUE UMA PESSOA QUE ESTÁ SE AFOGANDO DEVE SER RESGATADA, INDEPENDENTE DE SUA RELIGIÃO OU NACIONALIDADE”

1910. Irena Sendler nasce em Varsóvia. Foram necessários 29 anos para que ela entendesse o seu verdadeiro papel no mundo. Durante a ocupação alemã na Polônia, iniciou uma jornada dura e perigosa das quais as chances de sair viva eram quase nulas. – Ajudar judeus presos nos campos de concentração, durante a época do holocausto.

Seu trabalho no Conselho de Auxílio a Judeus lhe garantiu a possibilidade de ir e vir nos Campos de Concentração de Varsóvia, para checar a existência de doenças. E veja só você, a menina abusada saía dos territórios nazistas levando crianças judias dentro de caixas, sacolas e vans.

“HERÓIS FAZEM COISAS EXTRAORDINÁRIAS. O QUE EU FIZ NÃO FOI NADA EXTRAORDINÁRIO. FOI NORMAL”

Irena e seus cerca de 25 ajudantes produziram mais de 3000 identidades falsas e tiraram mais de 2500 crianças de dentro dos campos de concentração. Ela guardava jarras recheadas com os nomes de cada criança, na esperança de encontrar seus pais ao término da guerra. Eventualmente ela foi desmascarada, torturada, teve os quatro membros quebrados e foi sentenciada à morte. No último momento no entanto, conseguiu escapar de seus executores, com uma ajudinha de seus amigos do Conselho de Auxílio, que subornaram os nazistas.

Ela foi a última sobreviente do grupo que organizou para salvar as crianças. Deixou este mundo em 12 de maio de 2008, aos 98 anos, e o deixou como um lugar melhor do que quando chegou.

Histórias como essas alimentam minha minguante esperança na raça humana.
Quer saber mais?

Até a semana que vem, caros leitores  :P