Andei lendo um monte de asneiras sobre os recentes protestos do Movimento do Passe Livre. Extremistas de cá, chamados de baderneiros filhinhos-de-papai, extremistas de lá, taxados de revolucionários do facebook. Ambos os lados cegos convictos em afirmações infundadas, todos a discorrer sobre seus intrincados códigos de conduta para um protesto bem sucedido. E isso lá existe?

É fato que muitas das revoluções que mudaram o mundo tiveram sua dose de violência e desacato a ordem pública. Oras, para mudar a ordem de qualquer coisa que não esteja bem direcionada e /ou intencionada, é preciso quebrar a ordem vigente. Contudo, quebrar a ordem não significa depredar o patrimônio público e a integridade física. O pensamento analítico que nos leva às ruas num primeiro momento, aquele que nos deixa indignados com a discrepância entre o aumento do valor do transporte público e a estagnação do fluxo viário da cidade, também deveria conter nossos instintos primários de violência.

Mahatma Gandhi  liderou a revolução de toda uma nação oprimida, através de alguns conceitos básicos que digeriu do ensaio Desobediência Civil, de Henry Thoreau. Busca da verdade; não violência; amor universal. É claro que ele não conseguiu a independência indiana sentado lendo um livro. Certa vez esteve a frente de uma marcha pacífica de mais de duas mil pessoas, antes de ser preso. Poucos meses depois o movimento contava com mais de 50 mil pessoas.

"ELES PODERÃO TORTURAR MEU CORPO, QUEBRAR MEUS OSSOS, ATÉ ME MATAR, ENTÃO TERÃO MEU CORPO INERTE, MAS NÃO A MINHA OBEDIÊNCIA." { gandhi

Do pensamento revolucionário também viveu o médico argentino-cubano Ernesto Che Guevara. Che desempenhou um papel importante como um dos comandantes da violenta Revolução Cubana de 53, contra a ditadura de Fulgencio Batista e o imperialismo americano. Suas peregrinações pela américa do sul resultaram numa clara consciência da situação precária que viviam seus semelhantes. O conhecimento trouxe indignação, que por sua vez trouxe responsabilidade.

"HÁ QUE ENDURECER-SE, MAS SEM JAMAIS PERDER A TERNURA."{ che guevara

Todos precisam de uma luta para lutar. Você não vai mudar absolutamente nada sentado aí criticando os protestos pelas redes sociais, baseando-se em informações que leu no jornalzinho Metro no trânsito dessa manhã, ou que assistiu no jornal nacional ontem na hora do jantar. Bem como de nada adiciona ao saldo de um protesto queimar ônibus e atacar policiais, a não ser servir de conteúdo para as manchetes sensacionalistas da mídia impressa. Criar consciência é escolher como pensar e também como agir.

Desculpem o desabafo.
Nas próximas semanas, vamos conhecer melhor o Gandhi e o Che Guevara.  : P

Até breve caros leitores!