Os revolucionários são baderneiros natos que de alguma forma desafiam o status quo e causam uma convulsão social em prol de algum ideal. Lembramos da imagem dos mais importantes mas damos pouca importância às lutas batalhadas por expoentes como Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Fidel Castro, Che Guevara e também aquele que nos deixou a pouco, Nelson Mandela.

Mandela: revolucionário e símbolo carismático

Além destes, considero que todos que estão lutando por alguma melhoria e causando micro-revoluções se encaixam nesse perfil. Na mesma linha, está rodando pelas redes sociais um texto do blog do também baderneiro Leonardo Sakamoto, onde ele compara pessoas como o póstumo líder sul-africano, os ocupantes das propriedades alheias, os professores reivindicando melhores salários e os índios se sacrificando por suas terras no Mato Grosso do Sul – e como falhamos em identificar os traços semelhantes entre todos estes personagens. Basta ler um pouco a respeito para identificar as conexões entre as grandes mentes que promoveram mudanças em nosso mundo, e perceber que estamos rodeados de novos revolucionários que são desacreditados e muitas vezes condenados pela desordem que causam.

“Adoram um revolucionário quando este é reconhecido internacionalmente e aparece em estampas de camisetas, mas repudiam quem ocupa propriedades, por exemplo, ‘impedindo o progresso’. “

– escreveu Sakamoto

O fato é que, depois da queda do nomadismo em decorrência do aprendizado do cultivo de grãos, e o incrível “caso dos mecânicos que sabiam ler” (vide coluna interessantíssima de Cláudio de Moura Castro na edição da Veja deste mês) a nossa sociedade evolui porque alguns poucos desafiam o senso comum e eventualmente conseguem mover legiões que, pela força inerente da massa, são capazes de promover mudanças significativas.

Nelson Mandela foi mais um desses grandes baderneiros. Começou sua própria revolução interna aos vinte e poucos anos, participando de uma - acredite se quiser, greve contra o aumento das tarifas do transporte público. Se está interessando em saber mais sobre a incrível vida deste homem, sugiro a leitura de um texto que escrevi algum tempo atrás, onde tento resumir em palavras os feitos de um dos maiores pensadores do século XX. Eventualmente, Mandela tornou-se um dos grandes articuladores para o fim do Apartheid, mas o maior mérito do carismático líder sul-africano foi, muito provavelmente, antecipar o sentimento de vingança que a política segregadora deixaria na população negra e anular, a um nível satisfatório, qualquer investida nesta direção. Não fosse a sensibilidade de Madiba, o país estaria certamente vivendo uma guerra civil até os dias de hoje. Vale lembrar que a somatória de seus esforços só veio a se tornar aparente pouco tempo antes de sair de seus 27 de prisão e quando se tornou presidente da África do Sul, aos 76 anos de idade, em 1994 – no mesmo momento em que se deu o fim da política opressora do Apartheid.

Não desistam da baderna, amigos, pois não há momento nem lugar certo: nós somos os líderes de nossas próprias revoluções.